CHAPADA: Palmeiras proíbe entrada de ônibus e vans de turismo neste final de ano

Depois do anúncio de cancelamento do Festival da Virada em Salvador, cidades do interior da Bahia seguiram o exemplo e também vêm suspendendo suas festividades de Ano Novo como medida para conter o avanço da covid-19. As prefeituras de Palmeiras, Saubara e Mata de São João, famosas por destinos como Vale do Capão, Praia de Cabuçu e Praia do Forte, respectivamente, além de restringirem os eventos, também publicaram decretos proibindo a entrada de ônibus e vans de turismo nos municípios.

Em Palmeiras, localizada na Chapada Diamantina, a administração municipal determinou a proibição de festas, encontros e reuniões com mais de 30 pessoas até 6 de janeiro de 2021. Os ônibus e demais veículos de excursão que tentarem ir ao destino irão se deparar com fiscalização conjunta da Guarda Municipal e Polícia Militar logo na entrada da cidade. Se desrespeitarem, podem sofrer uso da força policial e responder a penas no âmbito cível, administrativo e criminal. Neste meio-tempo, a prefeitura decidiu ainda pela suspensão da reabertura de atrativos turísticos, como os parques ecológicos do Morro do Pai Inácio e Riachinho.

Segundo o secretário municipal de Saúde, Walney de Paula, o distrito é muito procurado no fim de ano por causa do tradicional Réveillon do Capão, que é celebrado com shows ao vivo de bandinhas na praça da vila. Essa programação costuma lotar casas, hotéis e pousadas que promovem ainda suas festas privadas, o que preocupou a gestão com relação ao risco de aglomerações, já que há baixa disponibilidade de leitos de UTI na região.

“Não acho que vamos ter problema com entrada [de veículos de turismo] porque contamos com o apoio da PM e fizemos ampla divulgação disso, acredito que as pessoas devem cumprir naturalmente. A gente vinha sentindo uma irresponsabilidade por parte da maioria das pessoas, que estavam trazendo gente para cá. Tudo indicava que ia ser assim agora e a gente precisava fazer alguma coisa para conter”, disse. 

Atento ao cenário e aos decretos, o agente de turismo Mauro Bim, da M&B Turismo, teve de reorganizar algumas viagens da empresa. No fim de semana passado, iria levar um grupo de 40 pessoas para o vilarejo de Itaitu, em Jacobina, também na Chapada Diamantina, mas adiou a programação para março ao observar alta de casos na região. A agência dele tem uma excursão prevista para o Vale do Capão e a Fazenda Pratinha entre os dias 22 e 24 de janeiro, com saída de Petrolina e Juazeiro, mas, como o status da pandemia é imprevisível daqui para lá, já há uma previsão de adiar essa viagem.

“Depois do Réveillon a gente não sabe exatamente o que pode acontecer, então, quando um cliente fecha com a gente, já explico tudo sobre esse momento que a gente está vivendo. Na última vez que a gente foi para Itaitu, tinha outra excursão lá e fui de imediato falar com a coordenação para combinar que, enquanto eles estivessem em uma cachoeira, a gente estaria em outra, para ter melhor controle e não gerar aglomeração”, relata Bim.

Segundo ele, a empresa vem seguindo as regras da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), com medição de temperatura dos passageiros durante a viagem, fornecimento de álcool em gel e solicitação do uso obrigatório de máscaras.

Ainda conforme o secretário de Saúde de Palmeiras, a situação no município está mais complicada em relação ao primeiro pico da doença porque o Hospital Regional da Chapada, em Seabra, que atende a 11 municípios da região, vive uma crise de gestão, com atraso de pagamentos de médicos e funcionários, o que tem gerado desmobilização do atendimento em saúde na área por causa da falta de trabalhadores para dar conta da demanda. Todas as 5 vagas de UTI da unidade estavam ocupadas na última quarta-feira (23).

Também até esta data, Palmeiras acumulava 83 casos registrados desde o começo da pandemia, com oito ocorrências suspeitas em investigação. Outros 30 casos de pessoas que vieram de países, estados ou cidades onde há circulação do coronavírus estão em monitoramento quanto à apresentação de sintomas. Ao todo, o destino turístico teve um óbito causado por complicações da covid-19.

Fonte: Correio* / Foto: Reprodução



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