Prefeito fecha comércio, população faz protesto e acaba em pancadaria em cidade da Chapada Diamantina

O prefeito de cidade de Barra do Mendes, na Chapada Diamantina, Armênio Sodré Nunes, conhecido como Galego (MDB), após decretar fechamento do comércio na cidade teve um protesto na frente de sua residência feito por moradores da cidade. No decorrer do protesto, o prefeito atacou três mulheres de um grupo que cobrava em sua porta a aplicação dos recursos públicos destinados ao combate à covid-19. Os manifestantes alegavam que governo fereral enviou R$ 1,6 milhão.para a compra de respiradores, mas a cidade sequer tem um dos equipamentos.

Vídeos registraram toda a situação. Um deles mostra o momento que em o prefeito Armênio Sodré chega num carro, desce e ataca os manifestantes, que já estavam sentados num batente na porta de sua residência. Na imagem é possível ver quando ele chicoteia a comerciante Simone Souza Feitosa de Almeida, 47 anos. Numa outra imagem, Simone aparece com a mão sangrando e dizendo: “ O prefeito de Barra do Mendes desceu do carro e tirou sangue de mim”.  Além da agressão, as vítimas acusam o prefeito de jogar o carro contra os manifestantes. 

Além de Simone, outras duas mulheres foram agredidas, sendo chicoteadas nas mãos e pernas.  As vítimas foram atendidas no hospital da cidade no mesmo dia. Na manhã deste sábado, elas foram ouvidas na delegacia da cidade vizinha, em Irecê, pois o único delegado de Barra de Mendes está afastado por causa da covid-19.

“Incialmente estamos fazendo o boletim de ocorrência e corpo de delito. Simone ver, conforme a agressão, lesão corporal grave e uma tentativa de homicídio, já que ele avançou o carro em cima dos manifestantes”, disse a advogada da comerciante, Ellen Brito Costa. 

A Polícia Civil informou, por meio de nota, que a ” unidade expediu a guia para exame de corpo de delito e vai iniciar a apuração”.  O CORREIO vem tentando falar com o prefeito de Barra do Mendes, mas sem sucesso. 

Investigado por irregularidades em sua administração pelo Ministério Público do Estado (MP-BA) – leia abaixo –, o prefeito Armênio Sodré já cumpriu dois mandatos e apoiava o candidato ao pleito pensando em sucessão. No entanto, o seu vice Erik (PSD) foi derrotado nas últimas eleições municipais, em 15 de novembro, com 30,69% dos votos, por Tonho (PDT), que contabilizou 63,31% das urnas a seu favor.

Ataque
O estudante de fonoaudiologia Ramon Rodrigues, 28, um dos manifestantes que também prestou depoimento em Irecê, conversou com o CORREIO por telefone. Ele contou que a manifestação começou às 16h com aproximadamente 15 pessoas, que usavam cartazes e um megafone.  

“A gente começou com um movimento pacífico. Isso porque um amigo nosso precisou de respirador e a cidade não tem. O prefeito não comprou e a gente sentiu no direito de manifestar e perguntar onde foi que ele empregou os recursos do governo federal? Nossa cidade recebeu R$ 1,6 milhão destinado à covid-19 e não tem um respirador sequer no hospital. O nosso amigo, que está com 70% do pulmão comprometido, teve que ser transferiu para Irecê”, contou Ramon.

Ramon explicou o porquê de a manifestação não ter sido realizada defronte à prefeitura. “Ele não atende ninguém na prefeitura. Já fomos lá várias vezes e ele nunca está. Ele prefere receber as pessoas em casa.  É de praxe atender as pessoas lá, não sei o porquê. Por isso que a manifestação foi lá”, disse.
Por volta das 18h o prefeito chegou num carro e foi em direção às pessoas em que estavam em frente à sua casa.

“Ele jogou o carro em cima de mim, uma tentativa de homicídio. Saímos todos assustados, achando que ele ia pegar uma arma. Quando percebemos que foi um chicote, e que tinha machucado Simone  e outras duas mulheres, eu voltei com Simone e ele tentou a vir para cima da gente”, disse Ramon. 

Irregularidadas
Esse não foi o único fato polêmico deste ano com o prefeito de Barra do Mendes. No mês de agosto, o gestor e seu irmão, o empresário Arlênio Sodré Nunes, tiveram R$253.071,00 bloqueados de suas contas por decisão da Justiça, que atendeu a pedido liminar do MP-BA em ação civil pública ajuizada pelo promotor de Justiça Marco Aurélio Nascimento Amado por ato de improbidade administrativa. 

Seguno o póprio MP-BA, a decisão foi da Juíza Marina Lemos Ferrari, que levou em conta irregularidades apontadas pelo MP-BA em compras realizadas pelo Município no período compreendido entre os anos de 2013e 2019 com a aquisição direta e sem licitação de produtos de papelaria. 

Ainda de acordo com o MP-BA, na ação, o promotor apontou que houve indevida dispensa de licitação. O MP-BA apurou que a papelaria com a qual a Prefeitura fez negócio pertence ao irmão do prefeito, o empresário Arlênio Sodré Nunes, o que evidenciaria que “as compras foram realizadas de forma fraudulenta para beneficiar o irmão do prefeito, comprovando dolo na conduta do chefe do executivo municipal”. 

Fonte: Correio* / Foto: Reprodução



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