Contendense ilustre: Morre músico Sílvio Palmeira em Salvador.

Morreu nesta quarta-feira, 12, em Salvador, o músico e produtor Silvio Palmeira, de 68 anos. Nome que se manteve mais nos bastidores de grandes produções nas últimas décadas, Silvio foi vocalista da banda baiana Mar Revolto, de grande projeção nos anos 1970.

Silvio estava internado há um mês, após um infarto, informou o jornalista Zezão Castro, que esteve em contato com ex-membros da banda.

No hospital, o quadro se complicou com dificuldades respiratórias, o que o levou a ser entubado. Na manhã desta quarta, Silvio veio a óbito.

Nos últimos anos, Silvio, sempre à frente da produtora Casa da Música (não confundir com a instituição pública localizada na Lagoa do Abaeté), trouxe uma série de shows interessantes à Bahia, como The Platters (grupo vocal norte-americano, símbolo dos anos dourados), Jon Anderson (vocalista da banda inglesa Yes), a lendária banda psicodélica de São Francisco Jefferson Starship, a banda cover norte-americana Led Zepagain, o show do Marky Ramone na Concha Acústica do TCA (única vez que um Ramone veio à Bahia), a banda de hardcore americana Dog Eat Dog e muitos outros.

Produziu diversos shows no eixo Rio – SP, também, como conta o jornalista Marconi Lins, que prepara um documentário sobre o Mar Revolto: “Foi um dos maiores produtores da Bahia. Saiu de Salvador para ganhar o mundo. produziu shows de Lenny Kravitz, os shows da lenda do blues Johnny Winter no Brasil. Era um descobridor de vários talentos, todo mundo dos anos 80 conhecia Silvio Palmeira, era de uma época em que a produção era feita com o coração e muita sagacidade também”, afirma.

No site da Casa da Música, Silvio faz um breve relato de sua carreira e início na vida artística: “Na minha infância em minha cidade natal (Contendas do Sincorá, na Chapada Diamantina), meus pais tinham um bar e todos os domingos os funcionários da ferrovia iam pra lá beber, cantar, tocar sax e violão, eram longos saraus, além disso o velho Cecílio, meu pai, tinha uma grande radiola que animava a todos, com os sucessos da época em discos de cera de carnaúba. Fui crescendo e não perdia um baile com a orquestra no Clube Social, ou em shows no cinema da cidade. Na adolescência ouvia muito a Rádio Mundial curtia o som do Big Boy, até o dia que ouvir Sympathy for the devil (clássico dos Rolling Stones) e, sobretudo quando vi, na capa de uma revista da época, a foto da banda The Rolling Stones. Aquilo mexeu comigo, ali tinha atitude, um contraponto ao lado do som meloso de A Hard Day’s Night e visual arrumadinho dos The Beatles. Assim tive os meus primeiros contatos com a música. Pronto, estava com a passagem garantida para o mundo do rock. Ouvia de tudo, muito rock ‘n’ roll”.

Após algumas bandas de garagem, formou a Mar Revolto, com Luiz Brasil (guitarra violões e vocais), Octávio Américo (baixo e vocais), Geo Benjamin (guitarra), Raul Carlosgomes (bateria, violões e vocais) e Vicente dos Santos (percussão).

“Em 1970, com uns amigos, formamos o primeiro grande grupo de rock baiano, o Mar Revolto, no qual fui vocalista, compositor, produtor, carregador, montador etc etc. Uma grande escola. O grupo sobreviveu até 1984”, escreveu Silvio.

Ainda abalado pela perda do amigo, o guitarrista Geo Benjamin disse que “Silvio Palmeira foi o cara que conduziu e norteou a nau de músicos/amigos através das águas turbulentas do Mar Revolto. Produtor musical e compositor, fundou e promoveu essa banda de rock da Bahia que participou ativamente no cenário musical brasileiro nos anos 1970”.

“Com o fim da banda, velejou para outros portos, sempre produzindo inúmeros eventos de artistas nacionais e internacionais, se alimentando do que mais amava: a música. Sua partida para outros oceanos nos deixa tristes mas na certeza do seu dever cumprido com a arte. Vá em paz Capitão. Céu à vista”, acrescentou Geo.

Geo Benjamin e Silvio Palmeira | Foto: Arquivo PessoalGeo Benjamin e Silvio Palmeira | Foto: Arquivo Pessoal
Silvio começou na carreira de produtor ainda nos anos 1970, com um show dos Novos Baianos na Concha Acústica do TCA: “No verão de 1973, fiz a minha primeira produção profissional, com os Novos Baianos. A partir daí, iniciou-se um árduo trabalho por anos a fio com vários outros artistas, incluindo o Mestre João Gilberto, de quem tive a honra de produzir diversos concertos”, lembrou Silvio no site da produtora.

Em 1975, produziu o festival que é lembrado até hoje como uma espécie de “Woodstock Baiano”, o Festival de Música na Ilha de Itaparica. Realizado entre os dias 21 e 23 de janeiro de 1977, teve apresentações de Luiz Melodia, Made in Brazil, Moraes Moreira, Trio Elétrico Dodô & Osmar, Mar Revolto, Banda do Companheiro Mágico e outros.

Nos anos 1980, ergueu na Pituba (onde hoje fica a APAE) o Circo Relâmpago, concorrente do então já estabelecido Circo Troca de Segredos (que ficava em Ondina). Lá deu vazão ao tsunami de bandas do movimento do rock brasileiro, com shows da Blitz, Herva Doce, Barão Vermelho (com Cazuza), Ratos de Porão e muitos outros.

Trafegou com muita habilidade também no mercado de axé music, conta Marconi Lins: “Foi produtor de várias artistas como Cia. Clic (banda que lançou Daniela Mercury), descobriu Ivete Sangalo. Antes de tudo ele foi um cara que trafegou por vários estilos diferentes”, conta.

Foto: Reprodução

Fonte: A Tarde

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